quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ouvir?



"Mas, o que é ouvir ,exatamente em si mesmo? Entre tantos pensamentos, fatos, sentimentos, buscas, entendimentos, entre tantos elementos, quais são importantes o suficiente a ponto de merecer uma atenção em especial? Além disso, qual o mérito de determinadas audições existenciais? Devemos ouvir o que grita em nós, o que nos pede, o que nos procura, o que nos adverte? Édipo, como uma ilustração, adolescente, deu atenção à profecia do oráculo e deu fé àquilo. Tanto é que acreditou ser filho de Políbio e escapou de Corinto para provocar um desencontro com o destino.

Há elementos convincentes que nos falam, em nós, que suplicam, reclamam.

Ouvir é uma condição que implica em discernimento, neste caso. É por meio da historicidade da pessoa que poderemos identificar o que ela foi apagando ("deixei para lá; não dei mais atenção a; passei a me ocupar com outra coisa", etc.). Talvez saibamos o que foi essencial em tudo isso, pelo estudo dos contextos, dos elementos, do andamento das questões ao longo dos anos. Certas questões que deixaram de ser ouvidas foram existencialmente adequadas e um acerto producente para a pessoa. Em outros casos isso pode ser diferente."

in, http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/39/filosofia-clinica-surdos-de-si-mesmo-e-o-homem-sem-152601-1.asp

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